MPMG denuncia prefeito de Ipanema por furar fila da vacinação contra a Covid-19

O prefeito de Ipanema (MG), Julio Fontoura (PL), foi denunciado por crime de responsabilidade após desviar vacinas contra a Covid-19.

O prefeito e sua mulher foram vacinados nos dias 19 de janeiro e 1º de fevereiro, respectivamente, antes dos profissionais de saúde da linha de frente do enfrentamento do coronavírus”, divulgou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), nesta segunda-feira (16).

A pena prevista para o crime de apropriação ou desvio de bens ou rendas públicas é de dois a 12 anos de prisão.

De acordo com o MPMG, a apuração do caso teve início com uma denúncia anônima. Posteriormente, a informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde de Ipanema.

“Ele e a mulher são dentistas, mas as edições do Plano Nacional de Imunização e dos Informes Técnicos da Campanha contra a Covid, em vigor na época em que eles foram vacinados, instituiu uma ordem de imunização dos trabalhadores de saúde, com prioridade para os que estavam envolvidos no atendimento aos casos suspeitos e confirmados da doença”, destacou o Ministério Público.

Ainda conforme o MPMG divulgou, após a denúncia “o prefeito decidiu vacinar os demais dentistas e auxiliares da cidade, desrespeitando, novamente, a orientação técnica de prioridade.

Bloqueio de bens do prefeito e da esposa

Conforme noticiou o G1 em 19 de abril, a Justiça determinou o bloqueio de bens do prefeito e de dua esposa por conta da vacinação. A decisão liminar, assinada pelo juiz Felipe Ceolin Lirio, da 2ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Ipanema, foi proferida após pedido do MPMG.

Na decisão, o juiz destacou o argumento da promotora de Justiça, Nayara Bernardes Cerqueira Campos, que fala a respeito da falta de moralidade administrativa. O prefeito teve R$ 76.413,70 em bens bloqueados e a esposa dele teve R$ 10.536,10. Os valores correspondem a cinco vezes o valor dos salários dos dois.

“Devido à ausência do respeito mínimo pelo interesse público e pela população ipanemense, foram violados, claramente, o princípio da impessoalidade e, também, da moralidade administrativa”, disse o juiz na decisão.

À época , a esposa do prefeito disse para a Inter TV que a denúncia é “equivocada” e “coisas de adversários políticos” do marido. Ela informou ainda que é formada em odontologia e que é concursada há 19 anos no sistema de saúde do município.

Ainda de acordo com a esposa do prefeito, todos os profissionais da saúde foram vacinados na cidade, inclusive os dentistas. Ela informou ainda que o Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais havia colocado os profissionais da área como grupo de prioridade na vacinação e que os dois não fizeram nada que não fosse de direito deles.

FONTEG1

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